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Todas as crianças merecem viver

Charge do menino sírio que morreu afogado na Turquia (fonte: HA Hellyer/Twitter

Charge do menino sírio que morreu afogado na Turquia (fonte: HA Hellyer/Twitter)

A imagem é comovente; assustadora; cruel. A cena, retratada em uma praia da Turquia, rodou o mudo inteiro pelos noticiários, estampou capas de jornais e gerou comentários nas mídias digitais. Na foto, que foi registrada nesta quarta-feira, 02, aparece o corpo de um garoto sírio, de 3 anos de idade, deitado de bruços com o rosto enterrado na areia enquanto um policial se aproxima. De acordo com informações publicadas na imprensa, o garoto identificado como Aylan Kurdi, foi uma das 12 vítimas de afogamento no naufrágio de dois barcos com cerca de 20 imigrantes sírios que navegavam em direção à Grécia. A mãe e o irmão de 5 anos de Aylan também morreram no naufrágio.

A tragédia chama a atenção para a questão da imigração. Todos os dias, milhares de pessoas fogem de seus países deixando para traz suas casas, seus trabalhos e suas comunidades, temendo os conflitos sociais, guerras religiosas ou disputas por territórios. Esses cidadãos enfrentam condições sub-humanas, passam fome, frio, ficam doentes, além de arriscarem suas vidas em viagens clandestinas, na maioria das vezes, em meios de transportes precários. Quando finalmente chegam aos destinos almejados, enfrentam as burocracias no processo de concessão de asilo, as dificuldades para conseguir emprego e moradia, os percalços com o idioma, além da recepção, nem sempre positiva, no novo país.

A Organização das Nações Unidas (ONU) afirma que mais de 2,5 mil pessoas perderam suas vidas neste ano tentando atravessar o Mediterrâneo. A maioria das vítimas é de sírios foragidos da guerra. Aylan é uma dessas vítimas! Sua família também!

Olhando a foto, sinto um aperto no peito e chego a uma conclusão: nenhuma criança deveria morrer. Quando uma criança morre, é enterrada com ela sonhos, projetos e possibilidades… Toda criança deveria ter a oportunidade de brincar, estudar, sorrir e crescer em um ambiente saudável com todo aporte para se tornar um adulto responsável e feliz. Toda criança merece um lar, uma cama macia com lençóis e travesseiros cheirosos e aconchegantes; uma família acolhedora e responsável; merece ter uma escola de qualidade com muitos livros, merenda boa e professores capacitados e valorizados.

As crianças do mundo todo precisam ser crianças, necessitam ser respeitadas, amadas, cuidadas e incentivadas a praticar esportes, artes e brincadeiras saudáveis. Meninos e meninas não devem ser agredidos fisicamente, emocionalmente, psicologicamente ou sexualmente.

Toda criança merece ter uma pátria; um espaço para viver; um chão para amar. Que nenhuma criança tenha que abandonar sua escola, sua aldeia ou suas tradições por causa da guerra seja ela religiosa, política ou civil. O pequeno da foto foi forçado a deixar sua terra, seu país, sua infância, por causa da guerra. Infelizmente não pode recomeçar sua vida em outro país, a tragédia o encontrou no meio do caminho.

Torço para que tragédias como estas não aconteçam mais… Fico na torcida para que crianças do mundo todo sejam felizes e cresçam em um ambiente de paz e harmonia. No momento, desejo que o pequeno Aylan, assim como todas as crianças e adultos que foram vítimas da violência e do abandono, encontrem a paz e a felicidade que lhes foram privadas neste mundo.

Tudo novo de novo?

No Natal e no fim de ano é normal fazermos planos. Fazemos inúmeras promessas para o novo ano, e, às vezes, recolocamos nesta lista as metas não atingidas no ano anterior.

Começar a malhar, retornar aos estudos, fazer um curso de capacitação, juntar grana para realizar a tão sonhada viagem ao exterior, dedicar parte do tempo ao trabalho voluntariado, conquistar a carteira de habilitação. Enfim, são inúmeros desejos que precisam de esforço e disciplina para se concretizarem.

Confesso que a minha listinha é bem grande, talvez não tenha tempo e energia para cumprir todas as metas. E isso não  é  problema; depois dos 30 (anos) aprendi que é preciso eleger o que realmente é necessário e urgente e, de vez em quando, dá um prazer danado procrastinar um objetivo.

E de meta em meta, de plano em plano, de conquistas e fracassos vamos escrevendo o nosso destino. Nesse caminhar, o que vale a pena são as tentativas e o esforço diário; isso para mim se resume na palavra esperança. Esperança de conquistar êxitos, esperança de dias melhores, esperança na vida, esperança no ser humano. Esperança é a palavra (e também sentimento) que traduz este momento.

O que o “Teste das bonecas” nos ensina

OpiniãoPor Messias Matheus

Que o racismo existe no Brasil como em todo o mundo, não me resta nenhuma dúvida. Todos os dias milhares de pessoas sofrem diversos tipos de preconceitos e discriminações que envolvem a orientação sexual, a religião, a classe social, o gênero e, principalmente, a raça/cor.

O racismo se manifesta, na maioria das vezes, de forma sutil e quase imperceptível para “as pessoas ditas normais”; porém para quem é agredido, as consequências são cruéis e podem trazer marcas profundas. O negro sempre foi alvo de racismo e discriminações, tanto no passado, como nos dias atuais. Muita coisa mudou, mas ainda precisamos exorcizar este sentimento cruel que faz com que o ser humano menospreze o seu semelhante, simplesmente por achar que a sua raça/cor é superior  e dominante.

Nariz de tomada, cabelo ruim, mola de esqueiro, testa de amolar machado, macaco, tição, urubu, beiçudo… Todos os dias crianças, adolescentes e jovens negros são vítimas de piadas racistas, às vezes dentro do ambiente escolar, lugar que deveria ser o espaço da diversidade e pluralidade de raças e saberes. Aliás, no meu tempo de escola não havia muito espaço para a discussão de temas como preconceito e racismo. Na prática, até os professores reproduziam o modelo de padrões estéticos da sociedade e dos contos infantis; por exemplo, nas apresentações e teatrinhos, as meninas e os meninos de pele clara sempre representavam os papéis de príncipes e de princesas, enquanto os mulatos e negros davam vida às bruxas más, ao lobo mau e aos mucamos da realeza branca.

Todos os dias milhares de jovens negros, profissionais competentes, são eliminados de processos seletivos para vagas de emprego, simplesmente por serem negros! Todos os dias negros inocentes são revistados em lojas como suspeitos de furtos; negros são mal atendidos em restaurantes e shoppings; são abordados frequentemente por policiais… E tem muita gente que diz: “O racismo não existe”(Ah vá… em que mundo vocês vivem?)

Bom, deixa eu parar por aqui. Hoje ao ler uma discussão no Facebook sobre racismo preconceito e etc, um dos internautas postou vídeo com o “Teste das bonecas”- experimento que revela a opinião de crianças sobre as questões raciais. confesso que fiquei meio balançado com as respostas dos pequeninos. Selecionei 3 vídeos que mostram a aplicação deste teste. Vale a pena conferir e refletir sobre o que podemos fazer para mudar esta triste realidade.

Prossigamos…

* Os vídeos foram reproduzidos do Canal YouTube

Gritemos, negros!

Hoje é comemorado o Dia da Consciência Negra. Que este 20 de novembro sirva para refletirmos, mais uma vez, sobre as questões que envolvem a população negra.

Muito mais do que direitos, cotas e políticas, queremos ser tratados como ser humano: com respeito, dignidade e lugar na sociedade!

Estes dois vídeos relatam um pouco dos nossos dilemas e lutas que enfrentamos todos os dias.