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Exposições celebram Cultura Negra

Estão em cartaz, no Museu de Cultura Popular e na Galeria de Arte, do Forum da Cultura da UFJF, as exposições “Negritude” e “Mama África”. As mostras, que fazem parte da celebração do mês da Consciência Negra, reúnem objetos que evidenciam a Cultura Negra.

Benzedeira_Cerâmica pintada_Guaratinguetá (SP)_Foto Franciane Lúcia

Benzedeira, peça em Cerâmica pintada, oriunda de Guaratinguetá /SP (Foto Franciane Lúcia)

Na mostra “Negritude”, exposta no Museu de Cultura Popular, o público poderá conferir algumas representações de divindades que fazem parte dos cultos de matriz africana. Do Candomblé, religião oriunda da África, temos os Orixás que são deuses africanos que correspondem às forças da natureza. Iansã, Ogum, Oxóssi e Xangô estão representados em peças de cerâmica e metal, confeccionadas por artesãos de Pernambuco e da Bahia. Representando a Umbanda, religião genuinamente brasileira que agrega elementos de outras religiões, temos as Pretas e os Pretos-Velhos. Essas entidades incorporam os espíritos de negros africanos, e são admirados pela sabedoria e simplicidade dos conselhos e ensinamentos, além de possuírem os conhecimentos de ervas e plantas utilizadas nos rituais.

A exposição, que reúne 62 peças em diversos formatos e materiais, apresenta ainda imagens de santos negros que fazem parte do devocional católico, como por exemplo, São Benedito, Protetor dos negros, e Nossa Senhora Aparecida, a Padroeira do Brasil. Também estão expostas miniaturas de mulheres negras exercendo funções do dia a dia, e homens dançando o Jongo, dança de origem africana que une versos ritmados e movimentos de roda, ao som de tambores. O Jongo é um dos ritmos que deu origem ao samba.

Perfil de mulher negra, autoria Sales, Salvador / BA (Foto Franciane Lúcia)

Perfil de mulher negra, autoria Sales, Salvador / BA (Foto Franciane Lúcia)

Na mostra “Mama África”, em cartaz na Galeria de Arte, estão expostas máscaras entalhadas em madeira, ornadas com fibra vegetal e em macramê. São 15 peças, oriundas da África, da Bahia, do Rio de Janeiro e de Juiz de Fora, que representam feições de negros, caras de animais, totens e máscara utilizada no Congado – manifestação folclórica e religiosa de origem afro-brasileira.

Também estão expostos painéis com imagens de Orixás, que são divindades cultuadas no Candomblé. Entre eles estão Yemanjá, considerada a Mãe das águas salgada; Oxumaré, Senhor dos movimentos e mensageiro da chuva; e Oxum, sereia da água e mãe da riqueza e do amor.

As visitações podem ser feitas de segunda a sexta-feira, das 14 às 18h, até o dia 29 de novembro. A entrada é gratuita. O Forum da Cultura está situado na Rua Santo Antônio, 1112, no Centro de Juiz de Fora/MG.

 

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Um grito por igualdade!

Marcha Axé Zumbi relembra a luta por igualdade racial e social no país

Por Messias Matheus

“Somos todos iguais”. Este foi o lema abraçado pela Marcha da Consciência Negra-Axé Zumbi realizada neste sábado, dia 22, no centro de Juiz de Fora. O evento que chega a sua quarta edição reuniu lideranças comunitárias, grupos de valorização da cultura negra, militantes e cidadãos de Juiz de Fora, e faz parte das comemorações do Dia da Consciência Negra comemorado na última quinta-feira, dia 20. Os participantes se reuniram pela manhã no Parque Halfeld e, no início da tarde, desceram em caminhada pelo Calçadão da Halfeld seguindo para a rua Batista de Oliveira e Avenida Getúlio Vargas até chegar à Praça Antônio Carlos.

A manifestação pacífica e democrática teve como objetivo relembrar a história de Zumbi dos Palmares, líder negro que é símbolo da luta pelo fim da escravidão no país, e também reivindicar direitos básicos como:  a valorização da população negra, condições dignas de vida e combater os preconceitos raciais e sociais enfrentados por negros no Brasil.

Caminhada de lutas

Ivan e Zilda

Senhor Ivan e dona Zilda militantes negros homenageados na 4ª Marcha Axé Zumbi

“Jovens: estudem, estudem e estudem para que vocês conquistem a emancipação socioeconômica dentro do nosso município e do nosso Brasil”. Este foi o conselho de um dos mais antigos militantes do Movimento Negro de Juiz de Fora Ivan Barbosa, 79 anos, que  desde a década de 1950 luta pelos direitos dos cidadãos negros. Personalidade homenageada na Marcha, Barbosa liderou o desfile em cima do Carro de som ao lado de dona Zilda, também homenageada pelo engajamento nas causas das mulheres negras.

Ivan acredita que houve uma evolução nas conquistas dos direitos dos afrodescendentes, porém, ele afirma que cabe à juventude lutar por novos ideais. “A nossa caminhada é longa e difícil; nestes mais de 500 anos de Brasil, nós ainda não atingimos o patamar que deveríamos atingir. Fomos nós que criamos essa sociedade, fomos nós que construímos a riqueza do nosso país. O nosso país tem uma dívida com os negros”, concluiu.

Marcha Axé1O coordenador nacional do Movimento Negro Unificado (MNU), Paulo Azarias relembra algumas vitórias do movimento negro no Brasil. “Em 1978 foi criado o MNU no processo de resgate da memória do Zumbi de Palmares pedindo que o 13 de maio (Abolição da Escravatura) fosse desconsiderado e o 20 de novembro fosse comemorado o Dia da consciência Negra; 36 anos depois temos mais de mil cidades brasileiras que decretaram o Dia da Consciência Negra como feriado, e nós (MNU) entramos com a campanha para que se torne feriado em todo o país.” Segundo Azarias, em Juiz de Fora já foi apresentado projeto de lei que pretende tornar o 20 de novembro como feriado local.

Para o presidente do Instituto Cultura do Samba e militante do Movimento Negro local, Régis de Oliveira, a Marcha Axé Zumbi é um momento de reflexão para toda a comunidade sobre as questões dos cidadãos negros. “Juiz de Fora nega a história do negro desde o primeiro censo realizado na cidade; com isso nos temos dificuldades para conseguir os nossos direitos. Porém houve avanços”. Régis ressalta que algumas políticas e oportunidades que promovem a igualdade racial e social contribuíram positivamente como ferramentas de inclusão social e cidadania. “Precisamos avançar mais e principalmente dar sustentabilidade ao que  conquistamos”.

Zélia

Zélia Lima há mais de 20 anos dedica-se a causa negra

Zelia Lúcia Lima, 54 anos, defende a causa da população negra há mais de 20 anos;  desde 2004 abraçou a militância em prol das causas das mulheres negras. Nas inúmeras atividades que participa, Zélia, que atualmente é secretária do Conselho Municipal para Valorização da População Negra, se dedica a conscientizar os negros sobre os seus direitos na sociedade. “Acredito nas políticas do nosso país, porém existe uma dificuldade em implementá-las. Fazemos um trabalho de conscientização do povo negro, o que é muito difícil pois o sistema de embranquecimento em nosso país levou a população negra a desacreditar nela própria. Então enfrentamos dificuldades até para valorizar a nossa cultura”, relata.

Fátima

Fátima da Barreira, líder comunitária e militante

A presidenta da Associação dos Moradores do Bairro Barreira do Triunfo, Aparecida Fátima da Silva, cita alguns avanços sociais para os cidadãos negros como, por exemplo, as políticas de cotas nas faculdades federais e a participação de negros na esfera pública e comunitária. No entanto, Fátima reivindica ações governamentais mais eficientes para combater o envolvimento dos jovens com a criminalidade e também políticas que preservem a vida da juventude negra. ” Precisamos de mais projetos que incentivem e valorizem a juventude, principalmente na área de educação”.

Música e dança para comemorar Zumbi

Além dos momentos de discurso e conscientização, os participantes da Marcha Axé Zumbi também puderam cantar músicas e sambas-enredo que exaltam a cultura negra e a história de Zumbi de Palmares. O cortejo cruzou as ruas centrais apresentando muita dança, comemorações e samba.

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Lenir da Silva (primeira à esquerda) em pausa para foto com um grupo de mulheres militantes.

Lenir Aparecida da Silva, 53 anos, seguiu a passeata desde a concentração, no Parque Halfeld. A todo o momento cantava e sambava sem nenhum constrangimento. “Fico muito feliz, quando sambo esqueço de tudo”, afirmou.

Cleonice de Oliveira, conhecida como Tia Cleo, 61 anos,  também apresentou samba no pé e muita animação durante a Marcha Axé Zumbi. Participante há 35 anos do Batuque Afro-brasileiro Nelson Silva, e  membro da Associação de Mulheres Negras Chica da Silva, Tia Cleo acredita que houve melhorias na vida dos negros, porém as mobilizações devem continuar.  “Participo de todos eventos que trata sobre as questões do negro, ainda tem muita coisa para melhorar, mas se Deus quiser chegaremos lá “, afirma otimista.

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Assista o vídeo com alguns momentos do evento.

Medalha Nelson Silva 2014

A Câmara Municipal de Juiz de Fora, Minas Gerais, agraciou nesta quinta-feira, dia 20, dez personalidades e instituições que se destacaram na produção e divulgação da cultura negra na cidade. Receberam a Medalha Nelson Silva: Afoxé Niza Nganga Njungo, Alessandra Crispin, João Paulino Barbosa, Marcelo dos Santos Campos, Marcos Languanje, Maria da Aparecida Pereira, Raimundo Pereira, Padre José Leles da Silva, Projeto Soul Black do Bem e Selmara de Castro Balbino.

A honraria, que leva o nome de um dos maiores compositores do país, faz parte das comemorações do Dia da Consciência Negra.

Comenda Nelson Silva

Pausa para o flash: A cantora Alessandra Crispin, conhecida nacionalmente pela participação no The Voice Brasil 2013, foi uma das homenageadas da noite. Na foto ao lado do advogado Emerson Porcino (Foto: Aline Crispin)

Gritemos, negros!

Hoje é comemorado o Dia da Consciência Negra. Que este 20 de novembro sirva para refletirmos, mais uma vez, sobre as questões que envolvem a população negra.

Muito mais do que direitos, cotas e políticas, queremos ser tratados como ser humano: com respeito, dignidade e lugar na sociedade!

Estes dois vídeos relatam um pouco dos nossos dilemas e lutas que enfrentamos todos os dias.