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Um grito por igualdade!

Marcha Axé Zumbi relembra a luta por igualdade racial e social no país

Por Messias Matheus

“Somos todos iguais”. Este foi o lema abraçado pela Marcha da Consciência Negra-Axé Zumbi realizada neste sábado, dia 22, no centro de Juiz de Fora. O evento que chega a sua quarta edição reuniu lideranças comunitárias, grupos de valorização da cultura negra, militantes e cidadãos de Juiz de Fora, e faz parte das comemorações do Dia da Consciência Negra comemorado na última quinta-feira, dia 20. Os participantes se reuniram pela manhã no Parque Halfeld e, no início da tarde, desceram em caminhada pelo Calçadão da Halfeld seguindo para a rua Batista de Oliveira e Avenida Getúlio Vargas até chegar à Praça Antônio Carlos.

A manifestação pacífica e democrática teve como objetivo relembrar a história de Zumbi dos Palmares, líder negro que é símbolo da luta pelo fim da escravidão no país, e também reivindicar direitos básicos como:  a valorização da população negra, condições dignas de vida e combater os preconceitos raciais e sociais enfrentados por negros no Brasil.

Caminhada de lutas

Ivan e Zilda

Senhor Ivan e dona Zilda militantes negros homenageados na 4ª Marcha Axé Zumbi

“Jovens: estudem, estudem e estudem para que vocês conquistem a emancipação socioeconômica dentro do nosso município e do nosso Brasil”. Este foi o conselho de um dos mais antigos militantes do Movimento Negro de Juiz de Fora Ivan Barbosa, 79 anos, que  desde a década de 1950 luta pelos direitos dos cidadãos negros. Personalidade homenageada na Marcha, Barbosa liderou o desfile em cima do Carro de som ao lado de dona Zilda, também homenageada pelo engajamento nas causas das mulheres negras.

Ivan acredita que houve uma evolução nas conquistas dos direitos dos afrodescendentes, porém, ele afirma que cabe à juventude lutar por novos ideais. “A nossa caminhada é longa e difícil; nestes mais de 500 anos de Brasil, nós ainda não atingimos o patamar que deveríamos atingir. Fomos nós que criamos essa sociedade, fomos nós que construímos a riqueza do nosso país. O nosso país tem uma dívida com os negros”, concluiu.

Marcha Axé1O coordenador nacional do Movimento Negro Unificado (MNU), Paulo Azarias relembra algumas vitórias do movimento negro no Brasil. “Em 1978 foi criado o MNU no processo de resgate da memória do Zumbi de Palmares pedindo que o 13 de maio (Abolição da Escravatura) fosse desconsiderado e o 20 de novembro fosse comemorado o Dia da consciência Negra; 36 anos depois temos mais de mil cidades brasileiras que decretaram o Dia da Consciência Negra como feriado, e nós (MNU) entramos com a campanha para que se torne feriado em todo o país.” Segundo Azarias, em Juiz de Fora já foi apresentado projeto de lei que pretende tornar o 20 de novembro como feriado local.

Para o presidente do Instituto Cultura do Samba e militante do Movimento Negro local, Régis de Oliveira, a Marcha Axé Zumbi é um momento de reflexão para toda a comunidade sobre as questões dos cidadãos negros. “Juiz de Fora nega a história do negro desde o primeiro censo realizado na cidade; com isso nos temos dificuldades para conseguir os nossos direitos. Porém houve avanços”. Régis ressalta que algumas políticas e oportunidades que promovem a igualdade racial e social contribuíram positivamente como ferramentas de inclusão social e cidadania. “Precisamos avançar mais e principalmente dar sustentabilidade ao que  conquistamos”.

Zélia

Zélia Lima há mais de 20 anos dedica-se a causa negra

Zelia Lúcia Lima, 54 anos, defende a causa da população negra há mais de 20 anos;  desde 2004 abraçou a militância em prol das causas das mulheres negras. Nas inúmeras atividades que participa, Zélia, que atualmente é secretária do Conselho Municipal para Valorização da População Negra, se dedica a conscientizar os negros sobre os seus direitos na sociedade. “Acredito nas políticas do nosso país, porém existe uma dificuldade em implementá-las. Fazemos um trabalho de conscientização do povo negro, o que é muito difícil pois o sistema de embranquecimento em nosso país levou a população negra a desacreditar nela própria. Então enfrentamos dificuldades até para valorizar a nossa cultura”, relata.

Fátima

Fátima da Barreira, líder comunitária e militante

A presidenta da Associação dos Moradores do Bairro Barreira do Triunfo, Aparecida Fátima da Silva, cita alguns avanços sociais para os cidadãos negros como, por exemplo, as políticas de cotas nas faculdades federais e a participação de negros na esfera pública e comunitária. No entanto, Fátima reivindica ações governamentais mais eficientes para combater o envolvimento dos jovens com a criminalidade e também políticas que preservem a vida da juventude negra. ” Precisamos de mais projetos que incentivem e valorizem a juventude, principalmente na área de educação”.

Música e dança para comemorar Zumbi

Além dos momentos de discurso e conscientização, os participantes da Marcha Axé Zumbi também puderam cantar músicas e sambas-enredo que exaltam a cultura negra e a história de Zumbi de Palmares. O cortejo cruzou as ruas centrais apresentando muita dança, comemorações e samba.

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Lenir da Silva (primeira à esquerda) em pausa para foto com um grupo de mulheres militantes.

Lenir Aparecida da Silva, 53 anos, seguiu a passeata desde a concentração, no Parque Halfeld. A todo o momento cantava e sambava sem nenhum constrangimento. “Fico muito feliz, quando sambo esqueço de tudo”, afirmou.

Cleonice de Oliveira, conhecida como Tia Cleo, 61 anos,  também apresentou samba no pé e muita animação durante a Marcha Axé Zumbi. Participante há 35 anos do Batuque Afro-brasileiro Nelson Silva, e  membro da Associação de Mulheres Negras Chica da Silva, Tia Cleo acredita que houve melhorias na vida dos negros, porém as mobilizações devem continuar.  “Participo de todos eventos que trata sobre as questões do negro, ainda tem muita coisa para melhorar, mas se Deus quiser chegaremos lá “, afirma otimista.

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Assista o vídeo com alguns momentos do evento.